Depois da tempestade, a bonança

“Naquele golo subiu Marega, e subiu uma cidade, uma região, um clube, subiu a torre dos clérigos. Quatro anos de um sentimento contido libertado num só lance.” E com esta frase de Freitas Lobo, um verdadeiro poeta futebolístico, podia terminar esta crónica, mas tenho bem mais a dizer. Como diz o velho ditado “depois da tempestade vem a bonança”. Sinto-me, hoje, no direito de o rebater, de o completar. A bonança chega sempre, mas é preciso trabalho, dedicação, compromisso com a causa em questão. Mesmo que uma hecatombe mundial acontecesse e por obra dos deuses o nosso Futebol Clube do Porto não se tornasse campeão nacional, a bonança já teria chegado. Tudo está diferente dos últimos quatro anos em que passamos o período mais negro da nossa história recente. A mística voltou, cada um dos jogadores sente o símbolo que carrega ao peito, todos se uniram e fizeram-se à estrada pela mesma causa. E não é irónico o Porto estar a praticar o melhor futebol dos últimos anos numa temporada com um orçamento para contratações equivalente a nada? Como na vida, o dinheiro não é tudo. A nós bastou-nos um verdadeiro comandante que sabe o que é ser Porto, um capitão Mexicano que deve ter um psicológico fora do normal para continuar cá após tantas temporadas a ser o patinho feio e um monstro Maliano que enfim, não há palavras. Arrisco-me a dizer que Marega é um verdadeiro role model para qualquer pessoa que queira ter sucesso na sua vida profissional. Marega prova que o talento é apenas uma percentagem reduzida daquilo que define o teu futuro, a tua história. Acredito vivamente que este ano começamos a construir a base para uma nova era de glórias, que espero que seja levada a cabo por um homem de seu nome Sérgio Conceição.

imgS620I220040T20180429211140Fonte: zerozero

O jogo de hoje nos Barreiros foi tão difícil quanto esperava. Ou melhor, quanto esperava antes da derrota clamorosa dos nossos rivais contra o surpreendente Tondela. Após esse resultado, pensei que o retirar de pressão sobre os nossos jogadores facilita-se a tarefa. Contudo, assim não foi e, apesar do domínio, a bola teimava em não entrar nas redes do Marítimo. Felizmente estava lá Moussa que subiu e descansou a nação Portista. Apenas de referir que a expulsão do guarda-redes insular foi correta e nada há a apontar ao arbitro. Queria ainda falar sobre a falhada presença no Jamor. Ainda me está atravessado esse jogo, custa-me a acreditar que não irei estar na mata do Jamor a comer umas bifanas, uns rissóis e a beber umas cervejas antes de ir levantar a taça. Custa-me principalmente por sentir que aquela passagem estava controlada, mas os deslizes de Marcano não foram perdoados. Marcano não merecia. Herrera que no prolongamento corria como se tivesse acabado de entrar não merecia. Nós não merecíamos. E Sérgio Conceição também não merecia. Ao contrario de alguns, não acho que o nosso treinador tenha estado mal ao tentar segurar o empate a 10 minutos do fim. Não foi a entrada de Reyes que levou a que golo acontecesse. Afetou sim o pós-golo devido ás suas características mais defensivas, mas acho que não lhe podemos apontar o dedo por essa substituição naquele momento do jogo. Correu mal este ano, espero que para o ano possamos lá estar.

Uma última palavra para os adeptos. Incrível o apoio dado aos jogadores desde a saída do Dragão até ao seu regresso. Isto é ser Porto, isto distingue-nos. Assim me despeço com os votos de que um dos meus colegas de bancada possa aqui, na próxima semana, festejar o primeiro campeonato nacional da era Pé em Risco.

Radamel Falcao

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